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  • Dra. Teresa

O ZUMBIDO DO RANGER DOS DENTES

Seguindo o velho ditado popular “Quem canta os seus males espanta”, decidi fazer aula de canto, que de presencial passou a ser on-line devido a pandemia.

Na aula passada, duas amigas do grupo relataram que não conseguiam cantar bem porque estavam sendo atormentadas por zumbido no ouvido, e que os médicos especialistas que ambas consultaram, não deram qualquer diagnóstico e nem uma solução.

Vendo essa queixa, soltei a seguinte frase: Dentista também trata de zumbido! E foi um espanto geral!

Tenho recebido muitos clientes no consultório com queixas de bruxismo, e alguns deles relatam o incômodo do zumbido.

O zumbido, também chamado de “tinnitus” na língua inglesa, é uma sensação sonora não relacionada a uma fonte externa de estimulação.


É impossível saber como é exatamente o ruído do zumbido. Pode parecer um chiado, um apito, uma cachoeira, um som de cigarra ou até mesmo de uma panela de pressão. Estima-se que pelo menos 28 milhões de brasileiros, equivalente a 15% da população nacional, já tenham vivenciado o sintoma do zumbido em alguma circunstância.


No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são 278 milhões de pessoas afetadas por esse sintoma.

Quando o problema não decorre da perda auditiva, se torna necessário investigar outros campos de gatilhos. O distúrbio se instala quando as vias auditivas passam a enviar impulsos mesmo sem haver uma fonte geradora de som. Descobrir o que leva à essa emissão de impulsos é um desafio.


A impressão de que o zumbido afeta mais os idosos é falsa, mas como cerca de 90% dos casos têm como causa principal a perda auditiva, há maior ocorrências de zumbido na terceira idade.

Porém, infelizmente este som incômodo pode aparecer em qualquer idade e também em pessoas com audição normal, e ainda sem explicação, acomete mais as mulheres.



O mito de ser incurável não cria somente pacientes resignados. Alguns são tomados por um sofrimento tão intenso que pode evoluir para transtornos psiquiátricos.


Além da poluição sonora (ruído de máquinas, música alta,etc.), outros fatores podem provocar o zumbido, tais como: erros alimentares por consumo excessivo de cafeína, sal e açúcar; doenças sistêmicas (hipertensão e diabetes); colesterol elevado; distúrbios cardiovasculares; distúrbios psiquiátricos ( depressão e ansiedade); excesso de cera no ouvido e distúrbios na articulação da mandíbula e outras alterações odontológicas.


Quando recebemos um cliente que tem bruxismo e relatos de dor e desconforto, observamos que o esforço extra provocado pelo ranger dos dentes pode causar o zumbido. A fricção dos dentes faz com que os músculos comprimam a região posterior do disco articular, que é uma área vascularizada e com nervos, e se localiza próxima às estruturas do ouvido. Nessa compressão, o cérebro interpreta os sinais enviados como zumbido: uma sensação sonora interna percebida principalmente nessa área.


Os dentes são responsáveis pelo equilíbrio dos músculos, das articulações e dos ligamentos presentes na região orofacial, e qualquer alteração levará a uma disfunção que poderá afetar o sistema odontológico. O ouvido é um órgão muito sensível e o zumbido é um sinal de alerta de que ele possa estar sendo agredido.


O zumbido raramente é um problema grave, mas frequentemente atrapalha a qualidade de vida por dificultar o sono, a concentração, a vida social e o equilíbrio emocional.


Quando o bruxismo e o apertar dos dentes gera o sintoma do zumbido, o dentista precisa atuar ajustando a oclusão dos dentes quando necessário, e confeccionando uma placa transparente de acrílico ou silicone com a função de desencostar os dentes, evitando assim o apertamento e o desgastes dos mesmos.


Chamamos esse dispositivo de placa mio relaxante, que ao promover um menor estresse e compressão dos músculos orofaciais, estaria diretamente aliviando a pressão na região auricular, e com certeza contribuindo para o alívio do zumbido. Tratar a causa subjacente do zumbido pode ajudar a aliviar os sintomas , ou até mesmo fazê-lo desaparecer.


Alterações na dieta e estilo de vida, prática de exercícios físicos, técnicas de relaxamento e controle da ansiedade são fatores que irão também atuar na melhora dos sintomas. Em alguns casos, pode-se também incluir outras terapias alternativas como a acunputura e a musicoterapia.


Como tudo na Medicina, o tratamento será mais eficaz quanto mais precoce for iniciado, por isso procure um médico clínico ou um otorrinolaringologista para uma investigação completa. Uma vez que o zumbido pode ter causas múltiplas, caso exista dor na mandíbula, dor ao abrir e fechar a boca ou dor ao toque próximo ao ouvido, o zumbido pode estar relacionado ao bruxismo e a problemas dento-faciais.


Nesse caso, é o dentista que vai atuar corrigindo as causas e instituindo o tratamento adequado, sendo muitas vezes necessário uma atuação profissional multidisciplinar.


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